PIB do Brasil recua 0,8% no 3º trimestre de 2016


Publicado em 30/11

É a sétima queda seguida nessa comparação, segundo o IBGE.

De janeiro a setembro, recuo é de 4%, o maior desde

Fonte: Anay Cury e Daniel SilveiraDo G1, em São Paulo e no Rio
 
No terceiro trimestre deste ano, a economia brasileira seguiu em queda. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 0,8% em relação ao trimestre anterior. É a sétima retração seguida nessa base de comparação. Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 1,6 trilhão.

De janeiro a setembro de 2016, o PIB registra queda de 4% em relação ao mesmo período 2015. Segundo o IBGE, essa é a maior queda para o período desde o início da série, em 1996. Já no acumulado dos quatro trimestres encerrados no terceiro trimestre de 2016, o tombo do PIB foi ainda mais intenso, de 4,4%.

Composição do PIB
O desempenho dos três setores que entram no cálculo do PIB foi negativo no terceiro trimestre deste ano frente ao anterior. A agropecuária teve retração de 1,4%, indústria, de 1,3%, e serviços, de 0,6%.

"Nesse ano, a gente teve queda das três grandes atividades, indústria, serviço e agropecuária. A única com crescimento relevante é indústria extrativa mineral, por causa do petróleo, já que o minério de ferro vem caindo desde o acidente de Mariana”, disse Rebeca de La ROcque Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

No terceiro trimestre, os investimentos, que também estão incluídos na composição do PIB, voltaram a cair, depois de terem crescido no período anterior, de abril a junho. A Formação Bruta de Capital Fixo, como a taxa de investimento também é conhecida, recuou 3,1%.

O consumo das famílias, que durante muitos anos contribuiu com o crescimento do PIB, recuou 0,6% - completando o sétimo trimestre seguido de baixa. A despesa do governo também recuou: 0,3%.

Quanto ao setor externo, as exportações caíram 2,8% e as importações recuaram 3,1%.

 

Comparação com o ano anterior
Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a contração foi ainda maior, de 2,9% - a décima seguida.

Nessa base de comparação, a agropecuária sofreu forte queda de 6%, influenciada por resultados negativos de culturas como milho (-25,5%), algodão (-16,9%), laranja (-4,7%) e cana de açúcar (-2%).

Seguindo o mesmo ritmo, a indústria recuou 2,9%, puxada, principalmente, pela queda na produção de máquinas e equipamentos.

Entre os três setores, os serviços tiveram a queda mais branda: de 2,2%. Os destaques negativos mais importantes ficaram com transporte, armazenagem e correio (-7,4%).

Na comparação com o mesmo trimestre de 2015, o consumo das famílias caiu 3,4%, sob influência dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda, de acordo com o IBGE. A despesa de consumo do governo também caiu: 0,8% frente ao terceiro trimestre de 2015.

Os investimentos também levaram um grande tombo. A formação bruta de capital fixo caiu 8,4% no terceiro trimestre de 2016, a 10ª consecutiva. "Este recuo é justificado pela queda das importações e da produção interna de bens de capital, sendo influenciado ainda pelo desempenho negativo da construção."

No setor externo, as exportações aumentaram 0,2% e as importações caíram 6,8%. Nos dois tipos de operação, os resultados foram influenciados pela valorização de 8,5% do câmbio.

A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2016 foi de 16,5% do PIB, abaixo do observado no mesmo período do ano anterior, de 18,2%. De acordo com o IBGE, esse é o menor índice desde 2003, quando chegou a 16,3%.

A taxa de poupança foi de 15,1% no terceiro trimestre de 2016, a menor da série, iniciada em 2010.

Repercussão
Para especialistas ouvidos pelo G1a queda dos investimentos é um dos principais fatores que continuam puxando o PIB para baixo.

O economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, afirma que os dados “sinalizam que ninguém sabe direito quando vamos sair do fundo do poço”. “Todo mundo achava que tínhamos passado desse ponto, e não passamos. Cada resultado que sai está pior que o anterior. ”

Alessandra Pereira, economista da Tendências Consultoria, diz que a queda dos investimentos foi o que mais surpreendeu, já que ela esperava queda de 1,5%, e não de 3,1% no terceiro trimestre. “A gente observa que tivemos um suspiro no 2º trimestre, com alta de 0,5%, mostrando melhora dos investimentos com a produção de bens de capital, de máquinas e equipamentos, o que deu um suspiro na apuração anterior.”

Previsões negativas
As expectativas sobre o resultado do PIB já indicavam que os números seriam negativos. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que tenta "antecipar" o resultado do PIB, estimou, em meados de novembro, que a economia teve retração de 0,79% de julho a setembro, na comparação com o trimestre anterior.

Para o ano de 2016, considerando todos os trimestres, os economistas do mercado financeiro preveem que o nível de atividade neste ano feche em queda de 3,5%, segundo o boletim Focus, também do BC, mais recente.

Se as previsões forem confirmadas, essa será a primeira vez que o país registrará dois anos seguidos de retração no nível de atividade da economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948. No ano passado, o recuo foi de 3,8%, o maior em 25 anos.